domingo, 30 de dezembro de 2012

Blog da AEILIJ Paulista

http://aeilijpaulista.blogspot.com.br/

Colaboradora do blog AEILIJ Paulista (Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil do estado de São Paulo)

sábado, 29 de dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Recanto das Letras

http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=103460

O Recanto das Letras é um espaço idealizado para facilitar a publicação e o compartilhamento online de conteúdos de natureza poética, artística, informativa e educacional.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O curumim poeta


Editora: Duna Dueto
Categoria: Infantojuvenil
ISBN: 978-85-87306-39-5
1ª edição: 2012
Encadernação: Brochura Formato: 18 x 25 32 págs.
Ilustrações: Luiz Gustavo Paffaro

Apuã queria presentear cada índio da tribo com uma estrela, para que todos vissem a vida com poesia. Mas, quando o céu ficou escuro, sem o brilho das estrelas, ele precisou decidir se continuava com seu plano ou não.

“Eu queria escrever um livro que unisse a sabedoria dos índios e seu amor pela natureza à poesia. Assim nasceu Apuã. Acho que todos vão se identificar com o indiozinho que, querendo fazer o bem, acaba metendo os pés pelas mãos!”, diz Simone Pedersen.

A história do curumim poeta ficou em segundo lugar no XVI Concurso Literário Nacional da Academia Caxiense de Letras 2011, do Rio Grande do Sul, e foi finalista do Concurso de Contos Infantis Monteiro Lobato 2011, promovido pelo SESC do Distrito Federal.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Dinossauros, índios e versos


Editora: Caki Books
Categoria: Infantojuvenil
ISBN: 9788563792709
1ª edição: 2012
Encadernação: Brochura Formato: __ x __ __ págs.
Ilustrações: Ives Godoy Martins

Nesse livro, o passado e o presente se confundem com personagens de épocas diferentes em um mesmo momento. O respeito ao próximo, à natureza e aos animais faz parte de um cenário encantador, no qual tigres, tartarugas e árvores que dão livros tornam o mundo um lugar muito mais aprazível.Quando o pai lê Dinossauros, índios e versos surgem os mais improváveis personagens no mesmo cenário: pré-históricos dinossauros, índios da época do descobrimento do Brasil e o próprio Gabriel. Viajando pelo tempo, percebe que não há limites para a imaginação e que "O mundo será muito triste, se não houver mais tigres malhados."

domingo, 25 de novembro de 2012

O sequestro da borboleta


Editora: Caki Books
Categoria: Infantojuvenil
ISBN: 9788563792860
1ª edição: 2012
Encadernação: Brochura Formato: __ x __ 28 págs.
Ilustrações: Homero Degelo Sanches

Bob era uma borboleta macho muito feliz. Morava no jardim colorido de uma escola, onde muitas crianças brincavam. Um dia, Bob estava voejando quando, de repente, tudo escureceu... Ele foi colocado em uma caixa e levado para um lugar misterioso. Descubra o que aconteceu com ele, no final dessa história emocionante!

A mosca destrambelhada


Editora: Caki Books
Categoria: Infantojuvenil
ISBN: 9788563792846
1ª edição: 2012
Encadernação: Brochura Formato: __ x __ 28 págs.
Ilustrações: Homero Degelo Sanches

Era uma vez uma mosca muito mal-educada, que não obedecia nenhuma regra. Não lavava as mãos, não ficava em fila, pegava os brinquedos e comidas dos coleguinhas sem pedir! Leia essa história engraçada e descubra o que aconteceu com ela.Esse livro conta a história de uma mosca que incomodava todo mundo. Barulhenta, egoísta e indisciplinada, a personagem mostra para as crianças como pode ser desagradável conviver com alguém que não respeita o próximo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Nov/12 - Prefeitura de Vinhedo


05 de Novembro de 2012

Roda gigante de leitura agita alunos e familiares na EM Professora Maria de 

Lourdes

Realização também contou com a presença da escritora vinhedense Simone Alves Pedersen; 

iniciativa integrou ações do programa “Entre na Roda”

Gabriela Angeli/PMV
História para contar e compartilhar foi o que não faltou na manhã do dia 1º na Escola Municipal (EM) Professora Maria de Lourdes Von Zuben, no Jardim Mirian. Nesta data, a unidade escolar da Prefeitura de Vinhedo promoveu uma roda gigante de leitura e envolveu alunos, seus familiares e professores em atividades voltadas exclusivamente ao incentivo à leitura. A ação esteve contemplada no programa “Entre na Roda”, promovido nas EMs de Vinhedo por meio da parceria firmada entre a administração municipal e a Fundação Volkswagen, que é idealizadora do projeto.

Abrindo o evento houve a apresentação teatral adaptada da obra “A vila encantada”, da escritora vinhedense Simone Alves Pedersen. Organizada pelas professoras Alessandra e Iderli, a peça contou com a encenação dos alunos do 1º ano do ensino fundamental I e teve a narração de estudantes do 5º ano, também do ensino fundamental I. À apresentação, as educadoras disseram que os alunos fizeram um estudo aprofundado do enredo, dos personagens da obra e da trajetória da própria autora. Caracterizados como os personagens do livro, as crianças encantaram os presentes e tiveram como cenário um livro gigante sobre a história, confeccionado pelos estudantes com a contribuição das educadoras de Artes desta EM, professoras Sílvia e Maísa.

Orgulhosos com a atuação de seu filho na peça teatral, os pais de um estudante do 1º ano do ensino fundamental I, Thiago e Silvania de Paula, prestigiaram a ação e disseram que este tipo de atividade de estímulo ao hábito de ler é fantástica às crianças, pois colabora no desenvolvimento de sua imaginação e os ajuda a aprimorar, ainda, sua oralidade. “Ele adora histórias e sempre nos pede para ler para ele, até leva livros para casa e aproveita plenamente este tipo de atividade que é feita na escola!”, comentaram.

Em seguida, a própria escritora homenageada falou com os alunos e presentes dentro do projeto da Secretaria Municipal de Educação, intitulado “Conhecendo o autor”. Esta iniciativa percorre todas as EMs que atendem do 1º ao 5º ano do ensino fundamental e coloca os alunos frente a frente com um escritor de verdade, para que possam conhecer um autor pessoalmente e para que saibam mais informações sobre o processo envolvido na criação das histórias e na confecção dos livros que leem em sala de aula e em suas casas.

Dando continuidade às atividades, com a ajuda da professora Edna os alunos fizeram uma roda de apreciação de leitura e compartilharam com os presentes suas percepções sobre alguns livros que leram recentemente, comentando sobre os enredos e indicando aos colegas de sala e aos seus familiares os que mais gostaram. Muitas das obras sugeridas pelos alunos, inclusive, integram o baú de livros que foi doado no início deste ano a todas as EMs da Prefeitura, dentro do programa “Entre na Roda”.

Também foram expostos durante a roda de leitura outros trabalhos relacionados ao incentivo ao hábito de ler, incluindo um jornal-mural produzido pelos alunos do 4º ano. A EM Professora Maria de Lourdes Von Zuben atende, atualmente, 600 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental I.

Visita técnica 

A formadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC), Cristina Moreira, esteve na EM neste dia e acompanhou as atividades, aproveitando a oportunidade para também realizar uma visita técnica à unidade. Mostrando-se bastante satisfeita, ainda verificou de perto outras ações que também são desenvolvidas junto aos estudantes dentro do programa “Entre na Roda”. A EM Professor Cláudio Gomes, no Centro, também recebeu a visita da formadora.

No primeiro semestre deste ano a formadora ainda esteve nas EMs Dr. Jair Mendes de Barros, Professora Antônia do Canto e Silva Cordeiro e acompanhou as ações promovidas com uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que funciona por meio do Programa de Alfabetização e Desenvolvimento Integral (Proadi) no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

Incentivo permanente à leitura 

A Prefeitura de Vinhedo reconhece a relevância da leitura no desenvolvimento de diferentes habilidades de interpretação e no melhor aproveitamento do processo de aprendizagem e, para tanto, realiza junto aos mais de 10,2 mil estudantes matriculados na Rede Municipal de Ensino diversas atividades que objetivam aprimorar este hábito.

Nos anos de ensino fundamental I, por exemplo, o estímulo à leitura é feito com a ajuda de um programa intitulado “Entre na Roda”, promovido desde 2009 por meio de parceria firmada entre a administração municipal e a Fundação Volkswagen, idealizadora do projeto. Este programa envolve atualmente os alunos dos ensinos fundamental I, II e da EJA e enfoca a disseminação e o desenvolvimento de diversas atividades que reforçam junto aos estudantes a importância do hábito da leitura e os apresenta a diferentes gêneros textuais.

Ao ensino fundamental I há ainda a oferta do “Ler e Escrever”, desenvolvido por meio de parceria da Prefeitura de Vinhedo com o governo estadual e que tem como principal intuito ampliar a leitura e escrita dos estudantes, colaborando na formação de leitores e escritores competentes.

Fonte: http://www.vinhedo.sp.gov.br/noticia.php?id=5775#.UJfvRtTC8yc.blogger

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Que mico!


Editora: Celacanto
Categoria: Crônicas para jovens
ISBN: 978-85-65253-06-2
1ª edição: 2012
Encadernação: Brochura Formato: 14 x 21 82 págs.
Capa: Celacanto

Simone Pedersen escreve para crianças e adultos. Neste livro, selecionamos crônicas que falem a língua dos jovens de hoje.

Conflitos, humor e amor, todas as emoções e alterações trazidas pela adolescência.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Flor do deserto


Editora: Celacanto
Categoria: Poemas
ISBN: 978-85-65253-07-9
1ª edição: 2012
Encadernação: Brochura Formato: 14 x 21 52 págs.
Capa: Paulo Branco


Meu mundo

Editora: Celacanto
Categoria: Crônicas
ISBN: 978-85-65253-05-5
1ª edição: 2012
Encadernação: Brochura Formato: 14 x 21 108 págs.
Capa: Celacanto

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O encontro


O vinho caríssimo escorre pela garganta sedenta preparando-o para a próxima degustação.
Do outro lado do bar, a moça pensa:
“- Com esse me deito, estou morrendo de solidão...”
E ele regozija em pensamentos carnais:
“Hoje me deleito, carne nova, sangue fresco!”
Horas depois, ele a deixa desacordada sob os lençóis lilases do seu quarto rosa. Antes de sair, coloca um objeto de sua antiga penteadeira – uma boneca de porcelana – aninhada em seus braços.
Entra no carro, com o vermelho-sangue ainda escorrendo pelo queixo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Você comeria baratas?


O mineiro Luiz Otávio P. Gonçalves, criador da cerveja Kaiser e da água de coco Kero Coco, tem um novo empreendimento, a Nutrinsecta, que se trata de uma produtora de insetos. Em março, a empresa deu um passo inédito no Brasil – pediu ao governo de MG, ao Ministério da Agricultura e ao IBAMA a certificação de que seus insetos podem ser consumidos por seres humanos. A decisão deve sair agora em junho. A produção de insetos para ração continuará como negócio principal da empresa. “Eu não seria capaz de comer uma barata, mas já experimentei larvas de besouro fritas e achei gostoso”, afirma Gonçalves. Quanto a levar baratas à mesa, ele concorda que haja uma “barreira cultural” no Brasil.

Eu prefiro uma fruta. Sem bichos, já que sofro de entomofobia. Sei que um inseto não pode me atacar ou devorar como um leão, mas a presença de uma barata pode me causar um ataque de pânico. Nunca gostei de acampar por ter medo dos insetos. Também nunca viajei até o Amazonas. Pescar, então, nem em sonho. Só de pensar nos mosquitos me picando, fico com as mãos suadas.  Sempre fui assim. Quando criança,  aos seis anos, fui pela primeira vez a uma fazenda. Sou cria de cidade. São Caetano não é exatamente uma cidade grande, mas chácaras e sítios eram lugares que eu só conhecia por livros. Nessa fazenda, nós nos hospedamos em uma casa que não tinha telas nas janelas nem nas portas. Eu sonhava com esse tipo de proteção dormindo e acordada. Havia ainda uma casa abandonada, porque a construção estava condenada, e ali os morcegos fizeram uma vila. Minha prima gostava de passar pela casa e observar os morcegos. Eu simplesmente não entrava. Para mim, morcego era um inseto gigante e pendurado de cabeça para baixo. Completando minha tortura, havia uma criação de bichos da seda. Para minha mãe e meu irmão, foram férias maravilhosas, com muito calor, ar fresco, cavalos e frutas. Mas eu só me lembro dos insetos.

Desde então sempre gostei de ficar em bons hotéis. Não preciso de luxo. Mas também não gosto de nada muito simples. Tem que ter ar-condicionado para não precisar abrir as janelas. Nunca se sabe se o preço baixo da diária foi economizado no dedetizador. Já aconteceu de eu chegar a uma casa de praia e ouvir a barata. Barata faz um tiqui-tiqui com as antenas que eu escuto de longe. Acendi a luz para vê-la na parede. Havia um ninho dentro do sofá da sala. Eu não consegui dormir a noite toda. Fui embora pela manhã depois de providenciar um assassinato em massa rápido e indolor. Sim, nessas horas eu esqueço todos os meus princípios; é pena de morte sem julgamento. Pegar as coitadas e soltar no jardim de jeito nenhum! Nunca mais aluguei casas. Como atraímos o que odiamos, um dia pedi comida chinesa, e ela veio premiada com uma baratinha. O dono do restaurante me ofereceu uma nova remessa de graça. Eu joguei o telefone na parede.

Sei que tem gente que come insetos e cia. – escorpiões, gafanhotos e até baratas. Outro dia vi, aqui na frente de casa, em Vinhedo, atravessando a rua calmamente, uma barata gigantesca, diferente, cheia de anéis e pouco arredondada. Procurei na internet e encontrei a resposta: trata-se da barata de Madagascar, que se alimenta de folhas e frutas e vive em florestas. Tem mesmo um bosque na frente de casa, aqui . Minha filha de nove anos tomou a iniciativa e pisou nela, rindo da minha cara, com a maior naturalidade, enquanto eu suava frio, me apoiava no poste e rezava. Essa espécie é a que criam em viveiros para servir de alimento. Ou criam como animais de estimação. Sim, animais de estimação. O tamanho delas chega a ser da palma da mão de um adulto em alguns países. São imensas! Pelo menos, não voam. Uma barata voadora é capaz de me deixar sem dormir por noites. Nunca se sabe onde está a companhia. As baratas andam sempre em casal. Repugnantes, mas fieis... Sentadinhas em um bolo deixado sem cobrir sobre a pia, iluminadas pela luz diáfana da lua atravessando a janela e cobrindo-as de uma aura prateada... Baratas albinas? Argh!

Ouvi dizer que barata tem cheiro. Elas possuem uma secreção repugnante liberada por glândulas, a qual tem um odor nauseabundo característico. Nunca senti esse odor já que eu paro de respirar instintivamente quando escuto ou vejo uma delas. Existe até nome para essa minha fobia: catsaridafobia. O medo faz as coisas parecerem mais perigosas do que realmente são.  Sinto falta de ar, palpitação, por causa de um pequeno inseto que pode ser destruído facilmente – isso é, se formos rápidos o suficiente, é claro, porque elas são mais velozes que carros de Fórmula 1. Imagine uma barata sem cabeça driblando você...  E se ela erra a direção e pensa que seu pé é a rota de fuga? Elas vivem até um mês sem cabeça e não sentem dor. Os homens dizem que medo de barata é coisa de mulher. Não é não. Faça um teste, diga bem baixinho ao pé da orelha de um homem: “Querido, não se mexa, que tem uma barata subindo pelas suas pernas e eu vou buscar o veneno lá na lavanderia”... 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Crianças livres


Crianças livres brincam, lêm e pensam por si mesmas. Podem escravizar homens, mulheres e crianças com correntes ou contratos, ameaças ou moralidades estúpidas criadas por homens tolos, mas ninguém, ninguém mesmo, nada, nada mesmo pode acorrentar uma mente que pensa e sonha. Literatura é alimento de sonhos. Dê livros para suas crianças. Para que sejam livres, mesmo que a vida coloque quatro paredes ao redor delas. Elas usarão suas asas.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Encontro com o vampiro


Não era uma sexta-feira nem era um sábado. Mas os dias da semana agora já se misturavam. Qualquer dia era dia de estar com ele. Em qualquer momento.  Em qualquer instante. Um telefonema ao entardecer a havia tirado de seus pensamentos terrenos. Ele poderia vê-la naquela noite de segunda-feira. E não poderia ser uma data melhor. Todo o universo conspirava para que aquele encontro fosse perfeito. Marcaram para as oito ou nove da noite. Não importava o horário, nem o tempo juntos, só importava que se vissem. Fossem minutos, eternos minutos.


Não era uma sexta-feira nem era um sábado. Mas os dias da semana agora já se misturavam. Qualquer dia era dia de estar com ele. Em qualquer momento. Em qualquer instante. Um telefonema ao entardecer a havia tirado de seus pensamentos terrenos. Ele poderia vê-la naquela noite de segunda-feira. E não poderia ser uma data melhor. Todo o universo conspirava para que aquele encontro fosse perfeito. Marcaram para as oito ou nove da noite. Não importava o horário, nem o tempo juntos, só importava que se vissem. Fossem minutos, eternos minutos.

Eles combinaram de se encontrar num lugar diferente. Num parque repleto de flores com rosas de todas as cores. Mas as que lhes deram boas-vindas foram as vermelhas, desabrochando ao compasso de seu andar. Conforme caminhavam por aqueles corredores no silêncio da noite, somente o vento fazia-se ouvir. Até ele, o vento, estava ansioso pelos acontecimentos. Sabia que nem sempre poderia testemunhar um encontro daqueles. E, em respeito, dançava sublimemente ao redor deles, fazendo notar-se, mas sem lhes desviar a atenção um do outro.

Os dois pararam para conversar, lado a lado, com os corpos tocando-se de leve. As estrelas os observavam, refletindo sua luz sobre o casal, ansiosas pelo que estava por acontecer. Subitamente, ele lhe roubou um beijo, e o vento parou, ruborizado. Até as rosas ficaram emocionadas e se inclinaram para chorar gotas de orvalho. O universo generoso ainda lhes guardava mais surpresas para aquela noite.

Como dois adolescentes, fugiram das plateias e procuraram um lugar discreto, onde pudessem se beijar até que não soubessem mais onde começava um e terminava o outro. Dentro desse esconderijo, ele mal fechou a porta, começaram a dançar. Uma dança sensual e morna, que aos poucos foi se acelerando até que os dois viajaram por galáxias distantes. Tinham sido apresentados há pouco tempo, mas já se conheciam há séculos, todos os segredos e caminhos. Ele então a seduziu novamente, como um vampiro em busca de vinho, abraçou-a por trás e afastou seus cabelos, lentamente. Beijou seu pescoço e cobriu seu corpo com o dele.

Os rígidos ponteiros do relógio pararam. As rosas, de longe na praça, voltaram-se em direção ao esconderijo deles. As vermelhas, completamente orvalhadas, arrepiaram-se e exalaram seu melhor perfume, que o vento soprou, presenteando-os, enquanto eles caminhavam para o centro do universo. Lentamente, ele os conduziu numa viagem a outro mundo, onde só existiam vampiros e presas, e o tempo não era.

Chuva

E quando a chuva chega de mansinho, escorre pela face das casas, pelos braços das árvores e umedece o tapete de grama, sobe o cheiro de vida, o sal da terra misturado com o açúcar que cai dos bicos dos bem-te-vis voejantes, formando o néctar dos deuses. Nessas horas, quem espiar pela janela verá que tem saci correndo atrás de redemoinho, fadas colando estrelas no céu e anjos gargalhando azul, enquanto fazem bolas de neve com as nuvens.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Filhote de cachorro - Shiz Tzu

Vida de cachorro não é fácil.
 Simone Pedersen

Eu trabalho 24H por dia como cão de guarda da minha dona, uma escritora egoísta que quando eu peço para fazer uma pausa, mordendo seus pés, ela diz que primeiro tem que terminar o texto. Termina um e começa outro, termina o outro e sai correndo de carro, vive atrasada, e eu aqui, sempre trabalhando ao lado dela, sentadinho, colocando medo em qualquer intruso que se depare com o meu latido de leão.

No final do dia eu caio , literalmente, de sono. A minha dona me trata tão mal que me deu uma cama que só cabe metade do meu corpo. Eu durmo umas horas com a cabeça no quente, depois revezo e coloco as patas traseiras antes que elas congelem. Ela? Nem vê! Posso tremer, latir, chorar... não me escuta.


Tem sempre uma música tocando no computador dela que é o seu melhor amigo.

Deixa ela. Quero ver quando entrar um ladrão na casa dela, o computador avançar nele. Ou abanar o rabo quando ela acorda.
Mas hoje ela passou dos limites. Ela teve a coragem de me acordar para tirar uma fotografia! Acho que ela quer me vender. Se o fizer, só poderá ser por leilão virtual, já que ela nunca levanta a cauda da cadeira. Imagino pessoas do mundo todo dando lances milionários nessa minha fofura. Mesmo assim, eu espero que ela não me venda.


Eu gosto dela, bem no fundo. Ela de vez em quando até me pega no colo e beija minhas bochechas. Outra noite, estava chovendo e muito frio, pois ela me colocou na cama dela somente para eu esquentar seus pés. Eu fui, apesar de achar uma humilhação ser usado de pantufa.
Como é dura a minha vida! Cada vez que ela se levanta eu tenho que acordar e segui-la. Nunca se sabe quando um ladrão vai atacar! Eu a protejo o tempo todo.
Quando ela dorme eu cochilo, mas com uma orelha em pé. Quando ela toma banho, eu fico ao lado da porta do banheiro. E quando ela sai de casa, eu fico com o focinho embaixo do portão espiando até ela voltar.

Espero que cachorro tenha aposentadoria. É muito cansativo viver preocupado.

Tenho que vigiar os muros para nenhum gato nos invadir. Na frente de casa tem um exército de gatos que ficam espreitando para entrar em casa o dia todo. Mas eu sou eficiente! Gato que entra aqui sabe que sairá sem rabo.Ladrão que entrar aqui sairá sem rabo também. Nós , cães, somos obstinados, apaixonados e fieis.

Bem dizem que somos a paixão número um das mulheres. Que homem é capaz de amar uma só mulher 24 horas por dia, estar sempre abanando a cauda quando ela volta e ainda nunca reclamar de nada?

domingo, 23 de setembro de 2012

Projeto Poemas nas Árvores - Vinhedo/SP

Projeto Poemas nas Árvores 
Dia 21 de setembro de 2011








I VARAL DE POEMAS NAS ÁRVORES

CLUBE DOS ESCRITORES DE VINHEDO

“Poema que dá em árvore, quando amadurece não cai, pula e se agarra ao coração do leitor.”

Simone Pedersen

sábado, 15 de setembro de 2012

Projeto Conhecendo o Autor

Alunos da Rede Municipal de Ensino participam do projeto de incentivo à leitura “Conhecendo o autor”
Iniciativa visa aproximar os estudantes dos processos de criação de uma história e de desenvolvimento do livro; atividade é desenvolvida em parceria com a escritora vinhedense Simone Alves Pedersen


Com o objetivo de envolver continuadamente os estudantes matriculados do 1º ao 3º ano do ensino fundamental I, na Rede Municipal de Ensino, em atividades que reforcem a importância do hábito de ler e que ajudem a solidificar entre eles este tipo de habilidade, a Prefeitura de Vinhedo – por meio da Secretaria Municipal de Educação – deu início nesta segunda-feira, dia 10, a mais um projeto com este enfoque. Denominado “Conhecendo o autor”, a iniciativa percorrerá todas as Escolas Municipais (EMs) que atendem estes anos de estudo e colocará os alunos frente a frente com um escritor, para que possam conhecer um autor pessoalmente e para que saibam mais informações sobre o processo envolvido na criação das histórias e na confecção dos livros que leem em sala de aula e em suas casas.



O projeto iniciou nesta segunda-feira, dia 10, na EM Professor Cláudio Gomes e já beneficiou 304 estudantes matriculados do 1º ao 3º ano nesta unidade escolar municipal, nos períodos da manhã e da tarde. Até o fim do projeto, que segue até 19 de novembro, mais de 2,1 mil estudantes da Rede Municipal de Ensino terão participado do encontro com o escritor, envolvendo os estudantes das EMs Professora Magdalena Lébeis, Abel Maria Torres, Fazenda São Joaquim, Dom Mathias, Professora Maria de Lourdes Von Zuben, Dr. Abrahão Aun, Professora Antônia do Canto e Silva Cordeiro e Centro Integrado de Cidadania (CIC) Eduardo Von Zuben.


Para o desenvolvimento da atividade nas EMs, a Secretaria Municipal de Educação convidou a escritora vinhedense Simone Alves Pedersen. A autora escreve crônicas, contos e poesias para jornais e revistas e já publicou vários títulos, entre eles "Poemas minimalistas" e "O tango da vida"; além de obras literárias destinadas especialmente ao público infanto-juvenil: "Dinossauros, índios e versos", "Pá-pum poetando e desenhando", "A vila encantada", "A mosca destrambelhada", "O sequestro da borboleta", dentre outros.

Na manhã desta segunda-feira, data de início do projeto, os estudantes da EM Professor Cláudio Gomes se mostraram muito interessados com a oportunidade de poderem falar com uma autora de livros que leem e participaram ativamente da ação. Na atividade, Simone falou com os alunos de forma bastante adequada à faixa etária dos educandos e explicou como ocorre todo o processo de criação de uma história, como são feitos os livros, incluindo suas ilustrações; como são feitos e pensados os livros em Braille, para leitura de pessoas com deficiência visual ou com baixa capacidade visual; e também compartilhou com os alunos a história de sua autoria denominada “A galinha que botava batatas”.

Acompanhando seus estudantes, a educadora do 3º ano da EM, professora Simone Furlan, disse que a ação é muito valiosa ao processo de construção do conhecimento dos alunos. “Esta experiência é ímpar aos alunos e ainda nos ajuda, em sala de aula, nas atividades de leitura que desenvolvemos sempre com eles. Com esta ação, os estudantes conseguem entender melhor como são feitas as histórias e, com isso, passam a ter mais curiosidade e a querer conhecer mais histórias, incentivando o hábito da leitura. Outro ponto positivo é que também desperta entre eles a vontade de criar seus próprios textos!”, comentou.

Escola Firmino Ferraguto - Caxias do Sul

Escola Firmino Ferraguto - Caxias do Sul
Inclusão e preconceitos - livros para crianças

Óculos Mágicos


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Olhares mágicos em Caxias do Sul

Alunos homenageando a Escritora Simone Pedersen, e o seu livro SARA E OS ÓCULOS MÁGICOS! Momento mágico!

sábado, 11 de agosto de 2012

Fotos do lançamento da Coleção Diferenças (10/08/12)

Bienal SP 2012 - Danilo Marques ilustrando



Contando histórias na Bienal de SP: "O LANTERNA", texto de Alexandre de Castro Gomes e ilustrações de JP Veiga, uma história instigante sobre um menino que aprende tudo de forma um pouco mais demorada...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Jul/12 - Revista Contemporartes


Escritora ministra oficina literária aos integrantes do Batuclagem


Na última quinta-feira, o Projeto Batuclagem nas Escolas/ PROEX/ UFABC e eu recebmeos a escritora de livros infantis e adultos Simone Pedersen, também nossa colunista da Contemporates que escreve a coluna Bar Contemporartes há 2 anos. Ela veio de Vinhedo especialmente para oferecer uma oficina de criatividade para os alunos da UFABC que fazem parte do projeto de extensão Batuclagem e que estão elaborando 6 livros para crianças cujo tema é a Educação Ambiental e que será lançado ainda esse ano. Os livros serão adaptações de fábulas e contos infantis, tanto da literatura universal quanto do folclore brasileiro. Entre eles, estão a lenda do Curupira, o protetor das florestas e a Chapeuzinho Vermelho, que como uma menina apaixonada pelo planeta se torna Chapeuzinho Verde.

De maneira leve e lúdica, Simone contou diversas histórias aos alunos e mostrou parte de sua riquíssima obra, que contem também livros com foco no meio ambiente como o Vila Encantada. Além disso deu muitas dicas da parte empresarial e mercadológica necessária para se fazer um livro para crianças.

Agradecemos a presença de tão ilustre escritora e esperamos que encontros como esse se repitam...

Ana Maria Dietrich é coordenadora do Batuclagem e da Contemporartes


Abaixo, leiam também a linda crônica sobre a viagem de Simone Pedersen à Santo André.

O CAMINHO DO PASSADO

Simone Pedersen

Hoje fiz uma viagem diferente. Sai de Vinhedo, interior de São Paulo, e segui para Santo André, pelo Rodoanel. É um caminho bem mais longo. Mesmo assim, eu o prefiro, por ser mais poético – sem contar o menor trânsito.

A princípio me chamou a atenção o encontro dos céus. Próximo da região de Osasco, a poluição tingiu o céu de cinza. Pelo retrovisor, avistava um tapete verde e céu azul claro, lindo, límpido. A minha frente, um céu triste e doente.
Segui cantando com Emma Schapplin, enquanto focava na paisagem mais do que no céu que tossia fumaça. Quando atravessei a Represa Billings, o céu voltou a sorrir e o Sol agradecido jogou purpurina sobre suas águas, que cintilavam como estrelas no mar da noite. Do outro lado da ponte, a Sombra ficou enciumada e deitou-se sobre as águas. Ela também queria ser admirada, e para fazer-se notar, não se importava com a tristeza de quem olhava das margens do lado direito. O Sol percebeu e decidiu esperar. O Tempo cura todos os males, pensou. Pacientemente os ponteiros do relógio marcharam pela rodovia e quando o Meio-Dia chegou para almoçar, o Sol havia movido para o centro do céu, de onde pode aquecer a Sombra com um abraço morno. A Sombra ficou envergonhada. Tentara brigar, mas como para brigar precisa de dois, não havia conseguido. Percebeu que mesmo não sendo tão bela, tinha lá os seus valores. Com o Sol alto e quente, embelezando a paisagem, as pessoas correram para o cantinho no qual ela havia se recolhido, para desfrutarem de seu frescor.
Continuei feliz por terem resolvido suas diferenças, sentido Mauá. Nunca havia feito esse trajeto, mas sabia que aquela era a direção. Quando jovem, morava em São Caetano e conhecia bem a região. No final da rodovia, segui as placas até entrar em uma avenida que logo reconheci. Não, não poderia ser. Aquela era a avenida que levava a casa de meus falecidos avós paternos. Parque São Vicente, sim o bairro onde frequentei todos os domingos durante tantos anos. Minha avó fazia macarronada e pasteis de carne, com sobremesa de pudim de leite. Recordei imediatamente daquelas ruas sem asfalto, onde sujei meus sapatos de barro, quando ainda estavam formando o bairro. Minha avó morava em uma casa deliciosa, e tinha no jardim da frente um cacto imenso, mais alto que a casa, que florescia ocasionalmente.
Sem que percebesse, comecei a chorar no volante. Imagens de minha avó na minha infância, forte e cozinhando, confrontavam as imagens dela no final da vida, tão pequenina que mais parecia uma menininha. E meu avô, alto e forte, pareceu-me extremamente frágil quando o vi pela última vez, deitado em sua cama, despedindo-se da vida aos poucos, enquanto a doença má o consumia. Naquela tarde, eu também chorei sentada na cama dele. Chorei por aprender tão cedo, que a vida é imprevisível. Que a Morte veste mesmo uma túnica preta que borra todos os nossos sonhos.
Logo à frente vi a churrascaria onde às vezes almoçávamos, “Estrela do Sul”, hoje totalmente reformada e com o nome “Churrascaria dos Pampas”. Vi-me pequenina, com 6-7 anos de idade, insistindo em me sentar no cadeirão de bebê no qual eu mal cabia. Talvez eu já pressentisse que crescer nem sempre é uma boa ideia. Se eu continuasse pequena, meus avós ficariam ao meu lado para sempre. 

Simone Pedersen é colunista da Contemporartes e premiada escritora.