sábado, 11 de dezembro de 2010

Gata de Verdade

(Aquarela de Paulo Branco)

Se me fosse dada a opção de escolher
Que espécie eu gostaria de ser
Não teria dúvidas: seria uma felina.
As gatas são independentes
E o mais importante: são livres!
Mesmo que domesticadas
Com comida e cama quente
Só aparecem quando querem...

As gatas são sinceras
Se alisam quando tem fome
Se aconchegam quando tem sono
Não falam inverdades
Se excitadas demonstram
Se contrariadas arranham!

As gatas são preguiçosas
Descansam e apreciam a sombra
Enquanto o sol escalda a gente
Mas quando a fome aperta
Levantam e vão a guerra
Caçam como guerreiras!

Quem diz que gato não ama o dono
Não entende o que é amor de verdade
Nem tesão.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Colcha de retalhos


Editora: Corpos (Portugal) - World Art Friends
Categoria: Coletânea de poemas
ISBN:
1ª edição: 2010
Encadernação: Brochura
Ilustrações: Paulo Branco

De cada momento que eu vivi, recolhi o momento mais sublime e os costurei em minha colcha de retalhos. Hoje esses momentos eu os vejo, cada um com seus encantos. Alguns já desbotados, pela emoção transformados. Alguns até rabiscados e muitas vezes retocados, com as cinzas do meu passado. Eu assim os coloquei, lado a lado. Costurados com a linha do tempo, com fios dourados bordados e com um acabamento esmerado. Cada detalhe dessa colcha são percorridos pelos meus dedos...


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Fragmentos e Estilhaços


Editora: Inhouse
Categoria: Poemas, contos e crônicas
ISBN: 978-85-7899-064-0
1ª edição: 2010
Encadernação: Brochura Formato: 14 x 21 160 págs.
Ilustrações: Paulo Branco


"O escritor pinta o papel com palavras. O poeta pinta o papel com as cores de sua alma". Assim são as palavras iniciais e provocantes de Fragmentos e estilhaços, de Simone Pedersen.

A simplicidade das frases soltas no ar, feito "balões coloridos" que ganham o céu, com significados do tamanho da imensidão estão em seus fragmentos, ou mesmo a "força da presença da ausência infinita", que encontra nas reticências o silêncio, num grito da alma de seus estilhaços

A crônica irônica, engraçada, como em Lua de Fel, Fabula de Natal, ou tantas outras, encontram em acontecimentos simples do dia a dia o riso. Ou os estilhaços em Bichos d’alma, o sabor azedo do suco daquele limoeiro morto, pois a natureza precisa da morte para começar uma nova vida, um novo ciclo.

Tudo isso movido com o combustível do amor. O amor pela escrita. Um mundo literário: "aprendi que poeta não nasce poeta. Todos somos poetas, mas nem todos encontramos a poesia dentro de nós, mas ela está lá, escondida às vezes."

Os textos sensoriais - feitos para tocar você, para que sinta o cheiro daquele local descrito e veja a poesia discreta nas paisagens reveladas - são "pólen para florescer a alma".

Em Fragmentos e estilhaços, "o leitor vai entender que o escrito não está, mas que nas entrelinhas se esconde".

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Entrevista para a TVB - Record Campinas

Escritora infanto-juvenil insere mensagens de conscientização nos livros

A escritora tem apenas 2 anos de carreira e já escreveu 6 livros



A escritora Simone Pedersen trabalhou como advogada até 2008 e nem imaginava que se tornaria uma escritora. Ela escrevia apenas por paixão. A vocação foi descoberta de fato quando ela foi convidada para escrever uma crônica e o resultado foi um livro infantil sobre bullying. Depois da descoberta ela não parou mais e está cada vez mais motivada.

Trabalhando com narrativas simples e muitas gravuras, ela aborda temas como preconceito, drogas e a relação com os pais. A paixão que a faz escrever tanto está na possibilidade de contribuir para a formação das crianças. A reportagem de Aline Ortolan conta a história dessa escritora e de como ela trabalha. Mais informações sobre as obras dela na página "www.simonepedersen.blogspot.com".

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Bando de Leitura: Novos livros e novas leituras

Copiado do blog do Bando da Leitura:



Os livros de Simone Pedersen, com ilustrações de Paulo Branco (Editora InHouse), chegaram em nossas mãos por intermédio da escritora Thaty Marcondes.
Li para todos a história de Sara e os Óculos Mágicos, foram muitos os comentários e alguns se identificaram com a Sara. Até eu.
Após esta leitura, as crianças se dividiram e escolheram os demais livros para ler em grupos. O Livro Poetando e Desenhando foi apresentando com palmas e Rep. O ensaio foi bem divertido. A leitura do Conde Van Pirado e de A Vila Encantada será apresentada em capítulos conforme combinou o grupo.

Fonte: http://bandodaleitura.blogspot.com.br/2010/10/novos-livros-e-novas-leituras.html

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Vice-Versa de setembro de 2010 - AEILIJ



Olá pessoal!
O Vice-Versa de Setembro comemora 50 meses e 100 entrevistas.
PARABÉNS à escritora Simone Pedersen e ao ilustrador Paulo Branco, associados da regional SP.
Agradeço a participação.
Grande abraço,
Regina Sormani

Paulo Branco

Perguntas de Simone

1. Qual o seu processo criativo e qual técnica dá maior realização?

Eu faço arte por uma questão de sanidade mental. Meu processo criativo é melancólico, caótico e libertador. E é na aquarela que mais me realizo, o que me fascina nela é que um defeito, se bem avaliado, se torna um efeito, dando maior liberdade criativa.

2. Paulo, nesses trinta anos de carreira, quais foram os trabalhos que mais marcaram sua trajetória?

Eu já tive oportunidade de experimentar um pouco de tudo: leciono desde os vinte anos (desenho, técnicas de pintura, desenho de humor, etc.). Mas o que mais marcou foram as exposições com materiais alternativos. Em um salão usei cabelos humanos, em um hospital coloquei as tintas em seringas e para o Dia Internacional da Mulher fiz aquarelas em absorventes. Também gostei de dar aulas na TV , passando técnicas de desenho.

3. Você já foi premiado várias vezes por trabalhos de humor. O interesse por aulas nesse segmento aumentaram em função disso? Quais foram seus prêmios?

Quatro ex-alunos foram primeiro lugar no Salão de Humor de Piracicaba, o que me deixou muito orgulhoso.Eu já fui premiado em salões de arte moderna e humor, fui juiz em alguns, fui considerado o melhor desenhista de humor no Mapa Cultural Paulista. Tudo isso serve de estímulo para os alunos que estão começando.

4. Você tem feito muitos trabalhos como ilustrador ultimamente: de literatura infantil e livros pedagógicos. Acha mais fácil que desenhos de humor? Qual seu parâmetro de qualidade?

O meu foco é sempre o mesmo, seja para criança ou para adulto procuro fazer o melhor possível. Cada trabalho tem um período de maturação e cada público tem uma adequação de técnica. Mas eu mesmo sou o filtro, se não gosto de um trabalho, eu o refaço.

Simone Pedersen

Perguntas de Paulo

1. Simone, você começou escrevendo para adultos ou crianças?

Eu comecei escrevendo crônicas para um concurso literário e entrei numa comunidade que posta todos os concursos no Brasil e Portugal. Experimentei contos, poesias, minicontos e terror. Ainda falta aprender trovas... O infantil surgiu de uma forma muito natural. Comecei uma crônica sobre bullying, por exemplo, e quando terminei havia escrito o Sara e os óculos mágicos... O Vila Encantada deveria ser um texto para uma escola para pessoas especiais... Enfim, não escolho a forma, apenas escrevo e vejo depois em que se enquadra.

2. Como você vê a literatura infanto-juvenil no Brasil?

Com muita tristeza. O Brasil é um país de muitas realidades e não podemos nos basear pela classe média alta. Nossas crianças carentes não adormecem ouvindo os pais lerem um bom livros. Os pais não sabem ler muito bem, e elas próprias crescem sem saber ler muito bem. Morei muitos anos na Europa onde os bebês adormecem com os pais contando histórias, brincam com livros desde poucos meses e desenvolvem a linguagem através de várias ferramentas. Precisamos considerar a realidade das crianças brasileiras quando escolhemos os livros que a elas serão oferecidos. É utopia acreditar que a criança de 8 anos no Brasil – de classe sócio-econômica inferior - está pronta para ler o que uma criança de 8 anos lê na Inglaterra ou Dinamarca onde existe uma padronização no ensino. Conciliar essa necessidade de simplicidade sem perder a qualidade literária é muito difícil.

3. No Brasil, a maioria dos livros infanto-juvenis traz um ensinamento ou uma moral, em detrimento da literatura pura. Você concorda com isso?

A literatura pura é em si só um elixir para que as crianças possam expandir seus horizontes. Contudo, infelizmente, quando pensamos em crianças que não tem nem o que comer , que não tem um livro sequer em casa, cujos pais são analfabetos, crianças que vivem à beira da marginalidade sem pais que tenham condições de educá-las, frequentando escolas que não conseguem ensiná-las sequer a ler ou respeitar as regras básicas de cidadania, eu acredito que não temos condições ainda de abrir mão da oportunidade de conciliar boa literatura com ensinamentos básicos de ética, cidadania e respeito ao próximo, quando não ensinamentos técnicos. O que não significa que a literatura pura não deva ser oferecida concomitantemente. O amor pela leitura deve nascer por aí. Quem não gosta de ler não lê livros que ensinam.

4. Se tivesse que escolher entre escrever para adultos ou crianças, qual seria sua opção?

Se tivesse que escolher entre publicar um livro para adultos ou crianças, escolheria o infantil, pela capacidade de multiplicação da mensagem, mesmo que fosse um livro de poesias infantis, sem nenhum ensinamento embutido. Uma criança sempre tem um irmão ou amigo que acaba manuseando seu livro também. A criança comenta com os pais o que lê. Mas, seria impossível não escrever mais para adultos, mesmo que ninguém lesse, eu não teria essa capacidade de parar de escrever.

Fonte: http://aeilijpaulista.blogspot.com.br/2010/08/vice-versa-de-setembro-de-2010.html

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Boneca


Pés descalços no chão

Corpo disforme, raquítico 
Barriga grande
Dedo sujo na boca
Terra molhada,
Esgoto a céu aberto
Caixas de papelão
Lar dos subumanos
Urubus e capivaras
Animais de estimação
A boneca tão limpinha
Aninhada no coração

A menina cresceu
E cheirou cola
Depois vendeu seu corpo
Assaltou pedestres felizes
E se mudou para a prisão...
Mas a boneca, ah!
Aquela boneca
Sem cabelos
Lavada com lágrimas
Choradas pela dor de fome
A boneca, ah, a boneca!
A menina levou com ela.