segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Mais um...
Mais um ano, novo ano, ano novo...
Mais um mistério, um suspiro, um sorriso...
Mais uma batalha, uma ferida, uma lágrima...
Mais um início, recomeço, novo enredo...
Mais um final desconhecido no meio do nosso caminho.
Mais um ano, ano novo, novo ano...
A única certeza que tenho é que em 2012 eu farei a minha
parte o melhor possível, mas o que acontecerá amanhã, hoje
ainda ou nos próximos anos, tem sempre sido uma surpresa e
seguramente acontecimentos inesperados nos abraçarão no
próximo ano... Torço apenas que todos tenhamos mais
acontecimentos bons...
E que a vida continue a nos surpreender!
domingo, 25 de dezembro de 2011
Premiações em 2011
Premiações:
Concurso Internacional de Literatura – União Brasileira Escritores – RJ - Menção especial para o livro de crônicas “Fronteiras” a ser lançado em 2012
VI Prêmio Arthur Bispo do Rosário – SP - crônica e poesia
Um poema em cada árvore – Instituto PSIA – Governador Valladares - MG – poesia
Concurso Pérolas da Literatura – Guarujá – SP – conto - 1o. lugar
Mapa Cultural Paulista 2011/2012 – Vinhedo -SP – conto e crônica
Varal de Poesias da UNIFAMMA - Maringá - SP – poesia
Varal de Poesias de Nova Odessa - SP – poesia
Concurso de poesias "Amor demais" – poesia
Prêmio Cultural Landa Lopes - poesia - e-book
Concurso Literário da ACL - RS - Contos infantis - 2o. lugar
Antologias:
Editora Caki Books - contos “Trem da História”
Editora Litteris – infantil “Novas fábulas brasileiras”
Editora Abrace – poemas “Juegos Florales” – Uruguai
Prêmio SESC de Contos Infantis
Prêmio Alt fest – Festa Literária Internacional de Olinda – FLIPORTO – poesia
Prêmio Universidade Fluminense Federal de Literatura – crônica, conto e poesia
Revista Kyrial da PUC - Campinas - SP - conto
Consto como verbete na última edição do “Dicionário de Mulheres Escritoras” da historiadora e pesquisadora Hilda Hübner Flores, do Rio Grande do Sul.
Pequenos contos: horror, fantasia e poesia
SOLIDÃO
O vinho caríssimo escorre pela garganta sedenta preparando-o para a próxima degustação.
Do outro lado do bar, a moça pensa:
“- Com esse me deito, estou morrendo de solidão...”
E ele, regozija em pensamentos carnais: “Hoje me deleito, carne nova, sangue fresco!”
Horas depois, ele a deixa desacordada sob os lençóis lilases do seu quarto rosa. Antes de sair, coloca um objeto de sua antiga penteadeira – uma boneca de porcelana – aninhada em seus braços.
Entra no carro, com o sangue-tinto ainda escorrendo pelo queixo.
A NOITE, O CÉU E A MORTE
Abro a janela e percebo que a noite está zombando de mim.
Ela escondeu todas as estrelas sob sua túnica negra.
Só vejo morcegos voejando no jardim.
Irada, penso em lhe exigir que devolva os diamantes que cintilavam em minha vida. Mas me calo.
Tenho medo que ela responda que eu não os mereço.
Tenho medo que ela mande mais morcegos.
DIVÓRCIO
Civilizadamente assinaram os papéis e se despediram do juiz.
No estacionamento, ele a avistava na calçada. “Finalmente. Estou livre.” Pensou enquanto acenava para ela.
Ela, compenetrada, aguardava os carros passarem para atravessar a rua. Quando viu uma moto, titubeou. Só decidiu atravessar quando um caminhão estava próximo demais para poder frear.
Só teve tempo de gritar o nome dele. O “Eu te amo” ficou apenas na sua vontade.
No diário dela, o desabafo: “Ouvi-o dizer que pretende me matar. Assim poderá casar-se com aquela puta. Eu o amo demais. Não quero que ele me esqueça nunca.”
OBSESSÃO
Depois que romperam, todos os dias o telefone tocou exatamente à meia-noite. Ela sabia quem era. Conhecia a respiração ofegante. Ficava a escutá-lo por infindáveis minutos, somente para a consciência permitir-lhe dormir em seguida. O motivo ela nem sabia mais qual fora. Ciúme doentio, agressões verbais, humilhações públicas. Talvez, a culpa fosse do destino, como lhe dizia a cartomante. Morar no interior seria a última tentativa. Precisava se livrar da obsessão dele. Não desse certo, já havia se decidido a resolver a situação, ingerindo pastilhas de veneno para ratos. Saiu de madrugada para não ser vista. Quando entrou na estrada, observou pelo retrovisor que um carro se aproximava, ao mesmo tempo em que o celular tocava insistentemente, mostrando o nome dele no visor. Descontrolada, entrou num posto de gasolina à procura de ajuda. Saiu do carro aos gritos e foi acudida pelos frentistas, que não conseguiam entender o que ela balbuciava. Esclareceram que nunca haviam visto o carro que a perseguia, quando a polícia chegou. No celular, não havia registros de chamadas há treze dias. E treze foi o número de pílulas que ela ingeriu sem que ninguém percebesse enquanto abriam o porta-malas, para nele encontrarem um corpo esfaqueado em estado de decomposição. Entre os ossos e restos de carne apodrecidos da mão do cadáver, havia um celular emitindo sinal de ocupado.
CONTO DE FADAS
A noiva chega correndo. Linda! Olhos de esmeralda!
Tão fina e educada! Branca de Neve!
Impaciente, o noivo a espera.
Nos degraus da igreja, ela perde um sapato branco.
Mancando, chega ao altar.
Não sabe que se transformará na Gata Borralheira de olhos roxos.
MULHER ARANHA
Linda! Como podia ser tão linda? Ele perguntou-se ao vê-la de negro, em um vestido longo e esvoaçante que denunciava um corpo esbelto, seios firmes e convidativos em um decote pouco comportado. As mangas largas não escondiam a cintura marcada. Linda, como podia ser tão linda? Ele ainda perguntava-se quando adentrou sua morada, sem compreender como ela havia se interessado por ele, alguém tão sem predicados espetaculares.
Nervoso, teve medo de não satisfazer aquela rainha. Mas ela teceu uma teia de sedução, com música romântica, velas acesas e penumbra. Despiu-se, lentamente a provocá-lo, e ele esqueceu seus medos, realizando todas as volúpias dela e dele.
Extasiado, olhava para o teto e pensava: “Como pode ser tão linda?”. E divagava sobre o que poderia ela – a linda dama de negro – ter visto nele. Nesse momento, ela ressurgiu da cozinha com vinho branco e um pedaço de bolo de chocolate. Ele mal pôde acreditar. Além de tanta beleza e sedução, estava ali – mulher, esposa e mãe – a alimentá-lo após a exaustão.
O bolo desceu-lhe a garganta, acariciando e envenenando o seu ser. Seus olhos reviravam enquanto balbuciava: como podia ser tão linda...
A VIÚVA
I
A viúva chora desolada.
O coveiro mostra, indiferente, as marcas de unha na tampa do caixão.
A viúva desmaia.
II
No dia seguinte, ela vai a uma escola em Manaus.
Inscreve-se no módulo avançado do Curso de Plantas Tropicais.
E sai gargalhando pelo beco imundo.
AS ROSAS E O VENTO
O universo conspirava para que aquele encontro fosse perfeito. Eles combinaram de se encontrar num parque repleto de flores. Queriam assistir ao pôr do sol, que se despediu do dia em tons vermelhos e alaranjados.
Enquanto caminhavam, a noite silenciou em respeito. O vento, ansioso, dançava sublimemente ao redor do casal em celebração. Eles sentaram-se lado a lado, com seus corpos tocando-se levemente. As estrelas os observavam, refletindo neles cintilantes luzes. Subitamente, ele roubou-lhe um beijo, e o vento parou ruborizado. Como dois adolescentes, fugiram das platéias e procuraram um lugar discreto, onde pudessem se beijar até que não soubessem mais onde começava um e terminava o outro. Uma estrela cadente desacelerou a passagem para poder observá-los. As rosas voltaram-se para a direção deles. As hortênsias curvaram-se, impressionadas com a intensidade daquele encontro. Arrepiadas, exalaram seu melhor perfume, que o vento soprou, presenteando-os. Deitaram-se na grama, como se ela fosse um ninho coberto por lençóis de cetim. A lua, encabulada, cobriu os olhos com nuvens e deixou o casal se amar... Até que juntos explodiram e transformaram-se em um cometa que rasgou o céu e nunca mais foi visto.
O INEXPLICÁVEL
O jardineiro rega as flores na praça. Crianças brincam. Adolescentes passeiam. Aninha conta sobre o primeiro beijo na noite anterior. As amigas aplaudem. De repente, toca o celular: a mãe ralhando pelo atraso para o jantar. Todas correm. Ela caminha sozinha para casa. Na esquina de casa, um senhor pergunta onde fica a igreja. Aninha reconhece o olhar do jardineiro da praça. Pergunta-se como ele veio parar ali. A cabeça dói. Ela cai em sono profundo. Quando acorda, grita desesperada:
─ Mamãe, mamãe!
A mãe, acariciando seus cabelos, lhe pede para dormir novamente. Vira para o médico e pergunta:
─ Quando devemos contar que ela foi deflorada?
DEPRESSÃO
Hoje é um daqueles dias que acordei com a alma pequena. A imensidão da noite quase me sufocou. Não fosse o canto das maritacas voejando no jardim, eu teria virado ao lado e dormido o dia todo. Quando acordo, procuro no mundo dos homens o pote de amor até o fim do dia. Mas só encontro solidão. Meus pensamentos ecoam tão alto, no vazio da minha vida, que sou vencida pela desesperança.
Procuro forças para me levantar e sair de casa, apesar da alma pequena. Vou à cidade. Busco algo em algum lugar. Não sei o quê nem onde. Já passei da idade em que sufocamos as mágoas com compras inúteis. Persigo a felicidade alheia, na esperança de ser por ela contaminada. Entro em uma livraria de esquina.
Estou numa viagem além da minha ilha, onde vivo tão sozinha. Busco paz. Decido, então, escolher um livro e me sentar no sofá macio. Esqueço-me do sofrimento por um instante. A poesia acaricia meu coração, levando meus pensamentos a lugares repletos de beleza e magia. Preenche o vazio, que amanheceu em mim, com cores e perfumes em forma de versos. Volto à casa vazia e sinto lágrimas escorrerem pelo meu rosto marcado, mas são por contemplar as estrelas penduradas no varal da noite. Minha alma desencolheu. Adormeço, segurando as mãos de Drummond, sussurrando lindos poemas só para mim.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Silêncio em 2012
O silêncio é uma conquista. Uma das mais difíceis. Falamos demais. Tudo tem que ser exacerbado hoje em dia. Temos demais. Esperamos demais. Sonhamos demais. Criticamos demais.
Eu sempre fui muito falante, e sempre me arrependi de falar demais. Pudera, quando jovem, queria ser advogada. Fiz Direito porque achava que estaria contribuindo para um mundo melhor. Coisa de jovem, que acha que pode mudar as pessoas. Sempre tinha uma opinião formada. Não havia espaço para adaptações. Nada era flexível. E aí veio a vida e começou a me ensinar que nada é tão matemático assim. Que eu não era infalível, logo não podia falar dos outros. Mesmo assim ainda falo de vez em quando. Depois me arrependo, mas não consigo não ter opiniões. E sempre acho que as minhas são as corretas. Difícil discordar de mim mesma. Depois quando percebo que estava errada, fazer o quê?
Consegui um pouco mais de equilíbrio hoje. A maturidade ensina. A vida ensina. Analisar os fatos somente pelo meu ponto de vista é perigoso. Quem me garante que não existe alguma informação importante que eu desconheça? Também sei que a palavra nunca não existe. É apenas uma metáfora. Nada é eterno. Tudo pode acontecer pela primeira vez, mesmo que não tenha acontecido por centenas de anos. “Ele não bebe”, mas pode começar a beber. “Ele não fuma”, mas pode começar a fumar. “Eu sou justa”, mas posso cometer injustiças. A vida pulsa, acontece, é inevitável. Como os animais nas florestas estão sujeitos ao acaso, nossas vidas também podem sofrer fatalidades ou mudanças bruscas. Quando o leão sai para caçar, ele vai devorar uma das gazelas. Aquela gazela poderá ser eu, um dia. Por que não? O que me faria melhor do que as outras?
Temos o livre-arbítrio, temos fatos predeterminados, mas não temos o controle da vida. Da vida dos outros. Se ao atravessar a rua eu olho dos lados e evito ser atropelada, não significa que não seja assaltada e morta na outra. Nesse caso, um atropelamento teria sido melhor.
Somos todos interligados, nossas vidas são afetadas pelas vidas dos outros, e os outros, como nós, são imprevisíveis. Cada pessoa vive uma vida única. Passa por problemas únicos. Têm uma grau de ética pessoal. Por isso, eu silencio. Somente cada um conhece a sua vida. Eu mal dou conta de entender a minha. O que eu desejo para 2012? Mais silêncio e menos palavras afiadas. Mais amor e menos crítica. Mais ação e menos falação. Que cada um de nós cuide bem do seu jardim, sem compará-lo com o do vizinho.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Fantasmas
Com o passar dos anos,
A minha biografia amarelou
Como meus dentes.
A memória embranqueceu
Como meus cabelos,
O passado escureceu
Como o futuro.
Os filhos cresceram,
Casaram-se e mudaram-se.
O cachorro morreu,
O gato também,
Até o pó se retirou
Para lugares onde abrem as janelas.
A televisão antes me incomodava,
Agora preciso de aparelho para ouvi-la...
Minha única companhia.
Não tenho mais bagunça para organizar,
Não recebo visitas para me estressar,
Não gasto com pizzas nem refrigerantes,
Que sumiam nas mãos dos adolescentes.
Nem o telefone toca...
O despertador sim! Faço questão de saber que horas são,
Apesar de dormir menos horas com o passar dos anos
E estar acordada quando o dia amanhece e o galo acorda o relógio.
Tenho um rádio que fica ligado o dia todo,
As vozes dos radialistas afastam os meus fantasmas,
Que ficam espreitando, esperando
A hora que me deito.
É quando eles se aproximam,
Sentam-se na minha cama,
Seguram a minha mão e choram comigo.
O nome deles?
Arrependimento, fracasso e solidão.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Espírito natalino... Mesmo?
Sabem o que me entristece nessa época do ano? Ouvir frases do tipo: "Para quem não tem nada, ISSO está bom demais". Que generosidade é essa? Presentear crianças carentes com bolas de dez reais ou roupas de segunda qualidade ajuda mesmo? Nossos filhos têm armários cheios de brinquedos e roupas de qualidade. Para eles, nos damos aquela LEMBRANCINHA qualquer? Crianças carentes usam muito mais que nossos filhos, e depois passam a roupa/calçado/brinquedo para o irmão ou primo. Eles, sim, precisam de artigos de boa qualidade. Uma bola de cinco reais e chinelos de tiras eles já têm! Não penso em grifes. Penso em qualidade. Seu filho não usa um tênis de borracha dura, porque o menino de rua pode ter os pés machucados? Aquela camiseta que fura depois de duas lavadas, vc daria para seus sobrinhos? Uma menina que sonha com a tal boneca, que abre olhos, abre boca, vem de vestido bonito e ganha uma boneca dura, sem movimentos, de olhos pintados ficará contentinha, e vc se sentirá generoso/a porque fez uma doação, enquanto na sua casa as crianças abrem caixas coloridas com brinquedos que custam uma pequena fortuna? Isso é generosidade, espírito natalino? Caridade é dar ao próximo algo que você tira de você, não migalhas que iriam para o lixo ou roupas que não usa mais, porque você tem mais do que precisa. Comentar que gastou cinquenta reais com uma cesta de natal não abre os portões do paraíso para ninguém. Aliás, se comentar, mesmo que gaste cinco milhões não será chave de entrada ao piso superior. Quem comenta é político, o bom cristão não faz campanha eleitoral a cada gesto, não tira foto, não publica no jornal. A hipocrisia natalina me faz mal. Ninguém precisa esperar uma data certa para ajudar quem precisa. Irmãos carentes não comem só dia 25 de dezembro. Eles comem, sentem fome, sede, frio, medo, se decepcionam, sonham, sofrem o ano inteiro.
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