quarta-feira, 13 de junho de 2012

Jun/12 - Portal Folha Notícias

Notícia
13/06/2012 - Vinhedo

Vinhedo: Oficina para jovens escritores é aplicada nas escolas

A Academia Metropolitana de Letras, Artes e Ciência – AMLAC, sediada na cidade de VINHEDO, realiza nas escolas públicas municipais, uma Oficina para Jovens Escritores, na parte da manhã e à tarde.
O objetivo é estimular a participação dos jovens estudantes no 2º Concurso de Contos, Poesias e Crônicas, a ser realizado neste ano. A intenção é ensinar os alunos a escreverem histórias, poesias, crônicas e tomar gosto pela leitura.
As aulas, que são práticas e interativas, vêm sendo ministradas pelos acadêmicos Wladimir Novaes Martinez (contos), Simone Alves Pedersen (crônicas), Benevides Garcia (Poesias), Conrado Luiz Amstalden (crônicas e poesias) Vittorio Gilberto Zottino e sua esposa Maria Guiomar Matheus Mazon (criatividade), cada uma delas com duração de 45 minutos.
Depois da exposição das técnicas da escrita, os participantes são convidados para contar histórias que criaram anteriormente. Os alunos são ensinados a observar o cotidiano e assim escrever crônicas da vida.
Todas as atividades são interativas, práticas, proporcionando entusiasmo aos alunos e até mesmo aos professores das escolas que vêm assisti-las.
Os encontros acontecem devido a um convênio entre a AMLAC e a Secretaria de Educação do município e se devem principalmente pela participação dos professores das escolas.




segunda-feira, 30 de abril de 2012

Lançamento da Coleção da Dorina Nowill no Salão FNLIJ do Livro

Com Danilo Marques, Cris Alhadeff, Flávia Côrtes, Felipe Vellozo, Sandra Ronca, Anna Claudia Ramos, Denise Crispum e Mauricio Veneza.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Bichos de alma


Havia um limoeiro antigo no meu jardim. Todos os anos ele dava muitos limões, saborosos e azedos. Um dia, o jardineiro me procurou com a feição preocupada e disse:

– Eu precisei cortar o limoeiro e o joguei fora.

Senti uma dor no peito. Imagens da minha infância me deixaram tonta com seus flashes iluminados. Eu me vi menina, de pés no chão, escalando o alto muro da vizinha com minhas primas, para colher limões e depois comê-los com sal.

Com pesar, perguntei qual havia sido o motivo. Ele explicou que o limoeiro tinha sido infestado por bichos que foram se alimentado da seiva até que, completamente seco, perdeu as folhas, a cor e, por fim, a própria vida. Não pude evitar uma lágrima inoportuna. Não sei bem se pelo limoeiro ou pelas lembranças da minha infância. Fiquei refletindo sobre o fato: será que os limoeiros têm alma igual à gente? E será que a alma da gente tem bichos como o limoeiro?

Sem dúvida, algumas almas podem ficar “bichadas”. Inveja, mágoas e decepções são experiências tristes que nos sugam a energia vital, se alimentam de nossa esperança e nos fazem “secar” até perdermos a cor e a vida. Prevenir uma infestação me parece difícil. Só não sofre quem não vive. Lembrei-me de uma crônica de Rubens Alves em que ele diz que “a inveja é um bichinho que mora nos olhos e vai comendo por dentro as coisas boas que crescem em nosso jardim, o chamado ‘olho gordo’. Muita gente tem medo de ‘olho gordo’, mas não precisa, pois o verme da inveja nunca faz nada com os outros”.

Sim, o bichinho da inveja se alimenta da planta onde vive. Assim, enquanto tem fome da outra planta, olha para a sua como algo menor, deixando sua própria alma doente, perdendo o prazer da sua refeição, apesar de não ser capaz de devorar aquilo que olha além.  Inveja vem do Latim “invidia”, que significa “não ver”, no sentido de não querer ver o bem no outro. Mas o que realmente acontece é que a pessoa deixa de ver o seu próprio bem. A inveja anda de mãos dadas com a comparação, que é outro bichinho d´alma. Ela sempre elege um ganhador e um perdedor, mesmo que os dois sejam bons o suficiente. Alucinógena, cria uma ilusão de que o seu é muito, muito pior. Quem será que sofre com isso?...

Eu devo confessar que também sou um limoeiro. Na primavera, floresço, e quem me vê imagina que meus frutos são sempre doces. Doce mesmo, só a ilusão. Às vezes, fico carregada dos mais azedos limões. Procuro conviver com plantas de frutos doces para ter bons frutos em que me espelhar (não invejar). Toda planta pode ter bichos. Mas algumas espécies são mais azedas que as outras. Se for contaminada, que seja pelos bichos de um pé de laranja lima.

Eu não choro quando como uma laranja doce ou quando escuto palavras boas. Mas minha alma dói só de me lembrar do gosto do último limão azedo que maturei.

domingo, 1 de abril de 2012

Poemas minimalistas


Editora: RHJ
Categoria: Infantojuvenil
ISBN: 978-85-7153-291-5
1ª edição: 2012
Encadernação: Brochura Formato: 25 x 17 68 págs.
Ilustrações: Mário Silva

• Selecionado pela CBL para representar o Brasil e compor o Catálogo da Feira de Bolonha 2013.
• Selecionado para o PNBE 2013 (Programa Nacional Biblioteca na Escola).

Como um gavião que rasga o céu com suas garras para ver o que tem do outro lado, você abrirá a realidade e enxergará outra dimensão a cada poema minimalista, onde elegantes cigarras tocam jazz no jardim de inverno e formigas atletas nadam em gotas de orvalho pela manhã.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Posse na AMLAC


Posse de Simone Alves Pedersen na Academia de Letras da Grande São Paulo 
Data: 29/março/2012

Ilustríssima Acadêmica Senhora Gioconda Labecca, digníssima Presidente da Academia de Letras da Grande São Paulo;
Ilustríssima Sra. Maria Terezinha Dario Fiorotti, Presidente da Fundação Pró-Memória de SCSUL, neste ato representando o Sr. Dr. José Aurícchio Júnior, Prefeito Municipal de São Caetano do Sul;
Ilustríssimo Sr. Dr. Adauto Campanella, representando o Senhor Sidnei Bezerra da Silva, Presidente da Câmara Municipal de São Caetano do Sul;
Ilustríssimo Sr. Norberto Comune, Presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes da região Metropolitana de Campinas;
Dignos escritores da referida academia de letras, Senhores Benevides Garcia e Conrado Amstalden;
Dignas autoridades presentes;
Distintos acadêmicos presentes;
Senhoras e Senhores;

Agradeço a presença dos amigos que vieram de Vinhedo nesta importante noite que marca a história da minha vida com luz e alegria. Por último, agradeço a minha família que aqui se encontra: minha mãe, Ivete, meu irmão Rogério e cunhada Salete, sobrinhos, primas e amigas de infância e de toda uma vida.

Estar aqui hoje tem uma importância indescritível. Foi aqui, exatamente nesta quadra, que estudei e conclui o primeiro grau, nessa escola estadual Bonifácio de Carvalho. Aqui conheci o primeiro teatro, a primeira biblioteca e escrevi minhas primeiras linhas. Eu me lembro como se fosse ontem, da coleção de livros de Monteiro Lobato, com capa dura na cor vermelha, que emprestei da biblioteca municipal, livro após livro, quando tinha nove anos de idade. Naquela época, poucos tinham livros em casa, não existia Internet, e as pesquisas eram feitas em extensas enciclopédias Barsa, quando não retirávamos o material na biblioteca e passávamos a tarde toda montando cartazes e textos sobre o tema, tomando café com leite e comendo bolo quente.

Ontem faz quase quarenta anos. Ainda sinto o cheiro de pão de queijo saído do forno nos intervalos aqui, nessa escola, cada vez que aqui venho, à ALGRASP.

Para mim, este chão é sagrado. Aqui nasceu minha vida.

Mário Quintana diz que: "Não importa que a tenham demolido: a gente continua morando na velha casa em que nasceu". Morei em tantos lugares, mas foi aqui que meu mundo foi desenhado.

A ACADEMIA DE LETRAS DA GRANDE SÃO PAULO nasceu em 1981, quando eu deixava o Bonifácio e iniciava o segundo grau no ALCINA DANTAS FEIJÃO. Ao longo desses 30 anos de existência, tem prestado serviços à sociedade, difundindo a literatura e o gostar de livros. Monteiro Lobato disse que um país não se faz só de homens, mas de homens e livros.

A ALGRASP colabora com nosso país com seriedade e dedicação por parte de seus prestigiados acadêmicos. Sinto-me honrada em participar desta academia e prometo empenhar-me com muita dedicação.

Entre tantas emoções que me abraçam neste momento, receber Vinícius de Moraes como patrono é a que mais me afeta: pela admiração e pela responsabilidade. Todos conhecemos o trabalho do "poetinha" carioca, como era conhecido, com seus sonetos inesquecíveis. Um artista de tamanha sensibilidade, que atravessou mundos com sua poesia, atingindo pessoas em diferentes países, diferentes culturas, origens e idades. Encantou adultos e crianças. Acredito que Vinícius encantou até anjos, com sua poesia ingênua e original.

Ele nasceu em 1913 - teremos seu centenário no ano que vem -, e a partir de 1930 criou obras inesquecíveis para literatura, teatro e música. Quem não se lembra do poema infantil "O pato" - Lá vem o pato, pato aqui, pato acolá... Do soneto que foi musicalizado "Pela luz dos olhos teus" - quando a luz dos olhos teus e a luz dos olhos meus resolvem se encontrar...

Ou ainda do poema "Tristeza não tem fim, felicidade sim..."

O poetinha nos deixou em 1980, mas sua extensa obra é eterna. Seu amor pelas crianças marcou não só sua literatura infantil, mas pode-se observá-lo em poemas como "Rosa de Hiroshima"- Pensem nas crianças, mudas, telepáticas... Pensem nas meninas cegas, inexatas...".

É muito significativo ter um patrono que escrevia também literatura infantil, por ser a área em que mais tenho publicado. Vinicius de Moraes não fazia poesia - ele era poesia e transformava em poesia tudo que olhava, tocava ou criava.

Este discurso será breve porque me foi muito difícil redigi-lo. Não que eu tenha dificuldade em escrever, mas pelo simples fato de saber que vocês estariam aqui comigo hoje, para ouvi-lo. As memórias dançavam em frente à tela de computador, e as únicas palavras que eu realmente sentia necessidade de escrever eram: Obrigada por estarem aqui hoje e por fazerem parte da minha vida.

Finalizo com um poema do nosso querido Vinícius de Moraes:

"Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...".
Boa noite.

Aproveito para agradecer o ofício de congratulações enviado pelo Sr. Dr. Agostinho Toffoli Tavaloro, Presidente da Academia Campinense de Letras, que me foi entregue em mãos durante a cerimônia, e aos amigos que participaram comigo, fisicamente ou através de telefonemas, emails, mensagens e depoimentos no Facebook. Para não ser injusta, cito um expoente da literatura brasileira, a trovadora Teresinha Brisolla, que telefonou logo cedo do sul do país, para representar todos os queridos.

Fonte: http://www.amlac.com.br/aconteceu03.php